Contexto

Da aptidão do Instituto de Informática

O Instituto de Informática da UFG possui sólida experiência no ensino superior em Computação, iniciada em 1983, com a primeira turma do curso de Bacharelado em Ciências da Computação (CC). A partir de 2009 foram criados mais dois cursos de graduação: o Bacharelado em Engenharia de Software (BES) e o Bacharelado em Sistemas de Informação (SI). O INF também é responsável por dezenas de disciplinas da área de Computação ministradas para diversos cursos de graduação de várias unidades de ensino da UFG.

Na pós-graduação lato sensu o INF já ofertou dezenas de edições dos mais variados cursos de especialização na área de Computação. Na pós-graduação stricto sensu o INF oferece, desde 2001, o Mestrado em Ciência da Computação. A partir de 2010 o INF passou a oferecer o Doutorado em Ciência da Computação.

Essa história perfaz mais de três décadas de ensino, com milhares de egressos, alguns deles ocupando cargos de destaque em universidades, empresas e organizações tanto no Brasil quanto no exterior.

O INF construiu, ao longo desse período, um consistente envolvimento com empresas e organizações de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). O Apoema [APOEMA] é o órgão do INF responsável pela cooperação e interação com organizações externas, com foco em soluções inovadoras.

Um número significativo de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) já foi realizado pelo INF em parceria com organizações locais, e alguns com empresas multinacionais (como Dell e HP, por exemplo). O INF também já participou de vários projetos de inovação tecnológica financiados pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).

Da carência de mão de obra

Um dos motivos para a existência do BES é a necessidade de formar recursos humanos em Engenharia de Software. A demanda por profissionais especializados na produção de software não existe só no Estado de Goiás, nem tampouco apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Apesar da demanda, na ocasião da criação do BES, não era conhecido outro curso com a mesma denominação ou propósito no Brasil. A tradição do INF na socialização da Computação, juntamente com a atuação em Engenharia de Software do seu corpo docente, resultou em proposta pioneira no País de um curso especificamente voltado para a formação de Engenheiros de Software, com ênfase na produção de software. Hoje, o Guia dos Estudantes da Editora Abril lista 28 cursos similares.

A região da Grande Goiânia reúne centenas de empresas de TIC, mas elas participam de forma tímida no mercado de software nacional. Com a disponibilidade de recursos humanos qualificados, essa participação pode crescer, o que é compatível com a dimensão do Estado de Goiás, a oitava economia nacional. Portanto, promover a indústria de produção de software em Goiás significa fomentar o aumento da participação das empresas do estado no mercado de software.

Dos indicadores socioeconômicos regionais

O BES cria a possibilidade de acesso ao ensino superior para aqueles que não podem usufruir do ensino privado. Segundo o IBGE [IBGE], em Goiás, 62.133 estudantes de graduação frequentavam cursos públicos em 2010, enquanto 156.415 estavam matriculados em cursos privados. Ou seja, estudantes em cursos públicos representam menos de 30% do total de estudantes matriculados no ensino superior.

O rendimento nominal médio mensal domiciliar per capita de todos os municípios brasileiros revela que, das cidades goianas, a capital do estado é a melhor posicionada, em vigésimo quarto lugar. O município goiano seguinte nesta classificação é Alto Paraíso de Goiás, na posição 158. O terceiro é Jataí, na posição 188. Até esta terceira aparição de municípios goianos, observa-se que o Estado do Rio Grande do Sul contribui com 57 municípios, São Paulo contribui com 55 municípios e Santa Catarina com 25 municípios.

Quando se analisa o produto interno bruto (PIB) dos municípios brasileiros, dentre os cem maiores, Goiás contribui com apenas 2 municípios (Goiânia e Anápolis). Reunidos, estes dois municípios possuem PIB inferior ao do décimo terceiro colocado, São Bernardo do Campo (SP).

Os valores expostos acima sugerem que a capacidade de financiamento privado do ensino superior em Goiás é inferior à de outros estados. Apesar dessa limitação, menos de 30% do total de estudantes estão matriculados em cursos superiores públicos.

Aqueles que conseguem acesso ao ensino superior, público ou privado, são minoria em Goiás. Segundo o [IBGE], em 2010 Goiás tinha 1.213.946 pessoas com 10 ou mais anos de idade com curso médio completo, enquanto apenas 218.548 estavam matriculadas em curso superior. Ou seja, menos de 20% continuam seus estudos até o ensino superior. Neste censo, Goiás tinha 394.491 cidadãos com curso superior completo em uma população total de 6.003.788, ou seja, 6,5% da população com curso superior. O Estado de São Paulo, por exemplo, apresenta uma taxa superior a 10%. Taxas ainda bem superiores são encontradas em outros países [OECD, 2012].

Além de contribuir para melhoria dos indicadores de educação em Goiás, o BES potencializa o crescimento da economia goiana por meio de alternativa à atual dependência do agronegócio. Essa alternativa fomenta a participação de Goiás em um mercado valioso, além de promover a criação de empregos.

A posição estratégica do BES pode ser esclarecida por meio de iniciativas internacionais. Por exemplo, TechHire Initiative e Computer Scicence for All são programas americanos lançados nos dois últimos anos, orçados em cerca de 2 bilhões de dólares, com o propósito de promover a capacitação em produção de software nos Estados Unidos.