Princípios Norteadores

Formação Ética e Função Social do Profissional

A vivência de princípios éticos e o conhecimento sobre a responsabilidade social do Engenheiro de Software são elementos imprescindíveis para a formação da postura profissional do egresso do BES.

Ética é assunto de uma das disciplinas do primeiro semestre do curso, “Computação e Sociedade”, e volta a ser explicitamente tratada, junto com aspectos profissionais, na última disciplina do curso “Prática em Engenharia de Software”. Nesse caso, a postura ética e profissional é condição a ser observada para aprovação nessa disciplina.

O comportamento ético e profissional será trabalhado nas atividades do curso, e não apenas na primeira e última disciplinas. A exigência de uma conduta apropriada em sala de aula, tanto dos docentes quanto dos estudantes, contribui com essa formação. Isso significa promover a qualidade de vida, o respeito à diversidade, o respeito ao meio ambiente. Nesse sentido, não apenas as disciplinas, mas toda e qualquer ação, deve ser pautada pela reflexão do impacto no contexto no qual se insere.

Ainda convém destacar que a área possui um código de ética próprio, Código de Ética e Prática Profissional da Engenharia de Software [ACM/IEEE]. Esse código é uma das bases de fundamentação do curso e deve ser observado no convívio diário do curso.

Formação Técnica

A formação técnica proposta para o BES está fundamentada em bases sólidas: as diretrizes curriculares nacionais [MEC 2012], o guia do corpo de conhecimento em Engenharia de Software [SWEBOK 2014], o corpo de conhecimento recomendado para ser trabalhado em um curso de graduação [SE 2014], e o modelo de competência em Engenharia de Software [SWECOM 2014]. Em consequência, o conteúdo abordado no curso não diverge das orientações nacionais nem internacionais. A organização dele, contudo, é uma “contribuição” para a área, dado que se baseia em experiências aprendidas nos anos anteriores, juntamente com uma visão holística do aprendizado em Engenharia de Software, o que contrasta com a frequente apresentação cartesiana dessa área.

As atividades do curso se aproximam do emprego da Engenharia de Software em projetos reais, no qual os conhecimentos e habilidades não são exigidos de forma fragmentada e isolada. O isolamento de conteúdo é adequado para a classificação do conhecimento que, sem o devido cuidado, pode induzir a definição de disciplinas. A estratégia de definição das disciplinas do BES é fornecida abaixo.

Estratégia da definição das disciplinas

As disciplinas do BES foram definidas com substancial cruzamento de fronteiras de subáreas do conhecimento da Engenharia de Software. A estratégia na qual se define uma disciplina por subárea foi preterida. Convém ressaltar que o corpo de conhecimento da área [SWEBOK 2014] foi extensivamente empregado, mas não como exemplo de organização didática.

Em vez da separação de tópicos induzida pela classificação do conhecimento, o conteúdo (ementa) atribuído a cada disciplina do BES inclui tópicos entre os quais há sinergia. Essa orientação é compatível com a prática da Engenharia de Software e não apenas reconhece, mas também respeita os vínculos entre as suas subáreas. Isso resultou em disciplinas coerentes com a prática da Engenharia de Software.

A Figura abaixo ilustra uma disciplina X qualquer do BES, composta por conteúdo das subáreas A, B e C. Ou seja, o conteúdo de X não está contido estritamente na subárea A, nem tampouco na B ou na C. Em vez disso, reúne e explora a interdependência de conceitos dessas três subáreas.

Disciplina do curso baseada em conhecimento de várias subáreas.

As subáreas “requisitos” e “projeto de software”, por exemplo, são contempladas em várias disciplinas do curso e não apenas nas disciplinas nas quais são o foco principal de interesse. A disciplina que enfatiza testes, por exemplo, inclui aspectos de design de software e também de requisitos, assim como aqueles de construção de software. De forma resumida, as disciplinas não são uma projeção cartesiana das 15 subáreas de conhecimento da Engenharia de Software [SWECOM 2014]. Em vez disso, são 18 disciplinas cobrindo reiteradamente várias dessas 15 áreas, sendo que uma delas cobre todas as áreas necessárias para a execução de um projeto real de produção de software.

Articulação entre Teoria e Prática Profissional

O perfil do egresso, exige do mesmo o envolvimento com o fazer, com o exercício do conhecimento de Engenharia de Software.

Essa articulação é explicitamente estabelecida por meio da seção “Condições mínimas” definida para cada disciplina de Engenharia de Software. Tais condições, em geral, definem o que o egresso pode fazer, em outras palavras, é capaz de realizar com o conhecimento. Ou seja, o que convencionalmente se limita ao conteúdo, ou teoria, deverá ser exercitado, ou prática, e com um nível bem definido de proficiência.

A disciplina “Prática em Engenharia de Software” é um ponto explícito do curso no qual a prática é o elemento principal, perfazendo 320 horas. O fazer, contudo, não está restrito a essa disciplina. A capacidade de realização de atividades de desenvolvimento de software é exigência em boa parte das disciplinas.

Interdisciplinaridade

Produzir software significa, necessariamente, o emprego de pelo menos dois domínios. O domínio da solução, no qual a Engenharia de Software é exercitada e o domínio do problema, que fomenta a existência do software. O domínio do problema é “universal”, pois inclui saúde, educação, segurança, governo, finanças e entretenimento, dentre muitos outros. Fazer software, portanto, por si só, exige o contato com outras áreas do conhecimento.

O acesso a outras áreas pode vir das disciplinas do Núcleo Livre (NL). O BES exige para a integralização curricular pelo menos 128 horas de disciplinas do NL. Essas disciplinas são escolhidas pelo estudante dentre todas aquelas oferecidas na UFG. Para ilustrar, no primeiro semestre de 2015 houve oferta de vagas para mais de 300 disciplinas de NL. Ou seja, o conjunto de opções de outras áreas do conhecimento é rico, o que contribui com uma formação ampla do estudante. Convém destacar que tais 128 horas perfazem a quantidade mínima exigida, o estudante pode fazer uso de uma carga horária maior. O mesmo é válido para o estágio não obrigatório e para as atividades complementares. O estudante deve cumprir um mínimo de 192 horas em atividades complementares.

A interdisciplinaridade estimulada pelos elementos citados acima é extra curso. Aquela intracurso é tratada tanto pela definição das disciplinas quanto pela disciplina “Prática em Engenharia de Software”. Nesses casos a interdisciplinaridade é compulsória, pois faz parte da própria concepção do curso. Adicionalmente, sem restringir a liberdade metodológica do docente, cabe ao NDE orientar a definição de programas de disciplinas que cultivem a interdisciplinaridade.

Atividades supervisionadas

De acordo com a Resolução CNE/CES 03/2007 de 2 de julho de 2007, cabe às Instituições de Educação Superior, respeitando o mínimo dos duzentos dias letivos de trabalho acadêmico efetivo, a definição da duração da atividade acadêmica ou do trabalho discente efetivo, o que compreende: (a) preleções e aulas expositivas e (b) atividades práticas supervisionadas, tais como laboratórios, atividades em biblioteca, iniciação científica, trabalhos individuais e em grupo, práticas de ensino e outras atividades no caso das licenciaturas.

O BES divide cada hora de atividade acadêmica em 45 minutos de preleções e aulas expositivas e 15 minutos de atividades práticas supervisionadas. O planejamento de cada hora deve estar devidamente registrado no plano de cada disciplina. Em particular, o plano deve incluir de forma clara as atividades práticas supervisionadas.