Exposição de motivos
A dependência da sociedade em relação a softwares continua se expandindo, inclusive em tarefas que antes eram exclusivas dos seres humanos, por exemplo, estacionar um veículo. Isso tem ampliado a demanda por softwares e consequentemente por profissionais que visam atender essa demanda. O conhecimento necessário para produzir software é denominado de Engenharia de Software.
Tradicionalmente esse conhecimento e as habilidades necessárias são adquiridas por egressos de outros cursos de graduação ou até por meio de cursos rápidos. Nesses casos, a apropriação de habilidades ocorre de forma parcial, pois não há espaço em tais cursos para cobrir adequadamente essa extensa área.
A vocação de docentes do INF e o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) resultaram na criação do primeiro curso de graduação (bacharelado) em Engenharia de Software do Brasil, o presente curso, pelo INF/UFG em 27/06/2008, conforme a resolução CONSUNI 10/2008, com o foco na formação de egressos aptos a usar de forma efetiva o conhecimento da Engenharia de Software. Essa primeira versão foi amplamente divulgada [BES1] [BES2].
Dezenas de docentes acumularam lições aprendidas desde o início da primeira turma do curso em março de 2009. A partir de outubro de 2014, o Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso iniciou esforço para refletir essas lições em uma nova versão do PPC. Ao longo de quase meia centena de encontros, o NDE fez uma exaustiva revisão do curso. As lições aprendidas e outras demandas, por exemplo, as diretrizes curriculares e o alinhamento com uma formação básica de qualidade em computação, definida pelo próprio INF, foram acomodadas na presente versão.
Convém esclarecer que na época da criação do BES, sem similar no país, não existiam diretrizes curriculares específicas. Essas diretrizes vieram apenas em 2012 [CNE 2012].
A presente versão não é resultado de alterações superficiais aplicadas à versão anterior, mas de ampla reflexão. Insumos empregados na elaboração da versão anterior foram revisitados. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), a versão mais recente do corpo de conhecimento da área e o modelo de competência para o engenheiro de software balizaram os esforços realizados. Projetos pedagógicos de cursos semelhantes, inclusive em outros países, também foram investigados. Esse substancial conjunto de informação foi analisado à luz da experiência dos docentes do próprio curso e do contexto local.
Por fim, o BES obteve nota máxima na avaliação do MEC em 2015, o que estimulou o cuidado com o curso, reforçado pelo Guia dos Estudantes da Editora Abril 2015, no qual, dentre os 28 cursos superiores em Engenharia de Software investigados, dois recebem 5 estrelas, um desses é o curso do presente projeto pedagógico. Em 2016, esse cenário persiste, conforme o Guia dos Estudantes 2016.